Saturday, 24 March 2007

A RUA DO GIN (2)



Uma faixa, A Casa em Frente foi gravada no Porto, para entrar num maxi-single de quatro músicas, sendo um dos lados com duas bandas portuguesas, e outro com bandas espanholas. Segundo a própria editora, as Facadas na Noite, as fitas originais da gravação desapareceram antes de serem publicadas, o que viria a tornar-se numa história macabre de desconfiança, briga e traição entre as pessoas envolvidas. Acabou-se por gravar o disco a partir de uma cassete de som duvidoso, uma história que a justiça ainda vai ter que resolver.
Falando em sabotagem e traição, lembro o concerto do Pandemónio na Praça de Touros da Póvoa de Varzim. Perguntem ao Berto. Um sound check como nunca na parte da tarde, um som de fazer inveja aos maiores nomes da praça, Senhor! A seguir ao jantar, o técnico de som que não era técnico nenhum e que não vou nomear, esqueceu-se de pôr os volumes no sítio certo. Tocámos com os volumes do outro grupo, ou seja só se ouvia uma guitarra ou apenas a voz. E os que estavam bebidos eram os músicos e não o técnico. Um caso com ligações à JSD de Braga, exacto agora com conotações políticas, tudo gente de boas famílias. Que porcaria.
Em 1993, o Paulo conseguiu fundos para a gravação do único álbum da Rua do Gin. A última gravação que iria acabar com o grupo, tal como o conhecíamos, pela parte que me toca era uma despedida, visto que não tinha nada a ver com o que eu queria fazer, nem eu tinha espaço de manobra para isso. Mas quem tinha? Aposto que nem o Paulinho.
Fez-se uma primeira mistura a seguir às gravações, que vou incluir aqui, mistura feita pelo técnico, o Paulo e eu, bastante dura e muito mais representativa do grupo do que a segunda, que também vou incluir aqui, feita pelo Paulo e uns produtores estrangeiros que ele contratou, e que todos juntos quase apagaram o meu trabalho todo. Mais sabotagem.
Da formação inicial, só sobrei eu e o Paulinho, sobrei para me despedir de um projecto que já me chateava há muito, não toco em muitas das músicas, nem nunca fiz guitarras para elas. O que queria era fazer algo na linha do Espera por Mim. O Paulo continuava nas composições dele em tons menores, principalmente em Mi menor, a quantidade de músicas em Mi menor é impressionante, os tons menores, como toda a gente sabe é melancólico e triste, o que me chateava bastante, enfim quem conhece o Paulo... Eu pessoalmente, queria fazer coisas mais violentas do que tristes, por isso passei para o baixo nos Vodka Tec., a ideia era fazer uma espécie de funky metal rap, ficou a meio.
Eu e o Paulo, já não nos dávamos como uns tempos atrás, A Marginal é um bom exemplo disto, não toco porque "esqueci-me" da minha parte, é pena podia ter feito uma coisa toda atonal, ou serial, uummm! Mesmo assim é das minhas preferidas.
O segundo À Sombra de Deus, o da capa toda preta, e que não sei porquê, não me agrada nada, foi gravado sem mim, o Paulo a solo, eu passei do Gin à Vodka. Esta segunda colectânea acabou por se fazer sem mim, nem na vodka, visto que dei um salto de 18000km. Ficou mal, foi tudo gravado à pressa, e misturado com erros. Um disco mau de capa má toda preta. Mal gerido e mal administrado.
Como todas as bonitas histórias, esta acaba mal, os vários membros zangados uns com os outros, e cada qual para o seu lado. A partir daí nunca mais toquei, a não ser com computadores.
Em dez anos ou mais de actividades culturais e recreativas, a Rua do Gin, não produziu grande coisa, é pena podia ter sido um projecto com bastante interesse como o atestavam as críticas e o núcleo de seguidores. Mais uma vez, a gerência desastrosa da coisa, a falta de apoios, e as várias facadas nas costas, não permitiram que levantasse vôo ou que se fizessem coisas mesmo a valer.

Gravado em 1993 em Viana do Castelo.
Segunda mistura.
Recorded in 1993 in Viana do Castelo.
Second mix.

1 - A marginal
2 - Agora que eu sei
3 - Júlia
4 - Aparição
5 - Deixaste uma porta aberta
6 - Diz qualquer coisa
7 - Uma vez
8 - Eu,tu e a luz
9 - Espera por mim
10 - Negras barcas
11 - A casa em frente

A track, A Casa em Frente was recorded in Oporto, to be included on a maxi-single of four tracks, one side with Portuguese bands, the other with Spanish ones. Claims the legend, that the reel tapes disappeared before being published, which would become a story of suspicion, fight and treason from the people involved, the label Facadas na Noite, responsable for the delivery of the work to the Spanish side, including elements with liaisons to Mão Morta. A criminal network is born here with arms longer than the Sicilian octopus. The record was finally made using a tape of dubious sound, a story that justice will still have to solve.
Speaking about sabotage and treason, I remember the concert at the Bull's Arena at Povoa de Varzim. Ask Berto. A sound check like never in the affternoon, a sound to make jealous the biggest names around, Lord! The sound tecnician that was no sound tecnician at all and that I will not name, forgot to to set the volumes back to their right place. We played with the volumes of the other band, or beter said you could only hear one guitar or only the voice. And who were drunk were the musicians not the tecnician. A case going back to the JSD from Braga, exactly, with political conotations, all boys from good families. What a smell.
In 1993, Paulo managed to raise funds to record the only album of the Rua do Gin. The last recordings that will end the band, as we knew it, from me it was a departure, seen that it had nothing to do with what I wanted to do, nor did I have space for that. But who has? I bet not even Paulinho.
A mix was done right after the recordings, that I will include here, a mix done by the tecnician, Paulo and me, pretty hard and reflecting much better the spirit than the second mix that I will also include here, this done by Paulo and some foreign producers he hired, who all together almost erase my work. Some more sabotage.
From the orginal formation, only me and Paulo got through, me, I was leaving a project that was boring me for a while, I don't play in many of the tracks, nor I've ever done guitars for them. What I wanted was things like "Espera por mim". Paulo was going on with his compositions in minor keys, essencially in E minor, the quantity of tracks in E minor is just impressive, the minor keys, like everybody knows, are pretty mellow and sad, what used to bore me, those who know Paulo will understand... Me, I wanted to do things more violent than sad, that's why I swapped for the bass with Vokda Tec., the ideia was to do some funky metal rap, or whatever, it's been half done.
Me and Paulo, we were not friends like in the old days, "A Marginal" is a good example of that. I don't play on that one because I "forgot" my part, it's a pity, I could have done something totally atonal, or serial,ummmm!
The second À Sombra de Deus, the one with the black cover, that I don't know why, I don't like at all, was recorded without me, not even in the Vodka, seen I've done a jump of 18000km. Everything went bad, it's been recorded quickly, and mixed full of mistakes. A bad record with a black bad cover. Badly managed and badly administrated. Like all the pretty stories, this one ends up badly, the several members angry with each others, and each one on his own way. From that moment on, I've never played again, but with computers.
In ten years or more of cultural activities, the Rua do Gin, didn't produce much, that's a pity, could have been a project with a lot of interest as claimed critics and the fistfull of followers.
Once more, the desastrous management of the thing and the lack of support, the several stabs in the back, didn't allow that it lift off or that serious things were achieved.

1 comments:

asianuxx@gmail.com said...

Ao Bourbonese:

peço desculpa, apaguei os comentários sem dar por ela. Mil perdões.